Circuito Cine Curta
Alunos de escolas públicas da Urca e do Caju terão acesso, nas próximas semanas, a uma experiência que vai além da exibição de filmes.
Com mais de 15 anos de atuação, o Circuito Cine Curta inicia uma nova temporada de atividades levando às salas de aula uma programação que reúne cinema brasileiro, formação cultural, materiais pedagógicos e debates sobre temas contemporâneos.
Ao todo, serão exibidos 11 filmes, todos com recursos de acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e legenda descritiva.
O Instituto Benjamin Constant também contará com sessões acessíveis por meio de audiodescrição.
Idealizado em 2010, o projeto já passou por dezenas de escolas das zonas Norte, Sul, Oeste e Central do Rio de Janeiro, consolidando uma parceria com instituições de ensino e com a Secretaria Municipal de Educação.
Nesta edição, as atividades contemplam unidades da Urca, do Caju e o Instituto Benjamin Constant, referência nacional na educação de pessoas com deficiência visual.
Segundo Juliana Teixeira, idealizadora do Circuito Cine Curta, o objetivo é mostrar que o cinema pode ser utilizado como um recurso complementar ao ensino tradicional.
“Nosso principal objetivo é utilizar o cinema como ferramenta pedagógica, contribuindo para tornar a escola um ambiente mais interessante e motivador para estudantes e professores. Buscamos fazer com que, por meio do cinema brasileiro, os alunos tenham mais facilidade para assimilar conteúdos das disciplinas, além de incentivar a formação de um público com senso crítico. Os filmes também permitem conhecer melhor a diversidade do Brasil, apresentando diferentes histórias, sotaques, costumes e realidades”, afirma.
Ao longo de junho e julho, estudantes da Educação Infantil ao Ensino Fundamental II participarão de sessões organizadas de acordo com cada faixa etária.
A programação reúne produções premiadas em importantes festivais nacionais e internacionais, entre eles o Anima Mundi, considerado um dos maiores festivais de animação do mundo.
Entre os filmes selecionados estão “Lé com Cré”, animação em stop motion vencedora do Anima Mundi; “O Véu de Amani”, que aborda diversidade cultural e religiosa; “Guri”, que promove reflexões sobre o racismo na infância; “Sobre Amizade e Bicicletas”, voltado à inclusão de pessoas com deficiência; e “Dela”, que trata de identidade, pertencimento e valorização da estética negra.
Além das exibições, o projeto oferece uma proposta pedagógica voltada aos educadores.
Professores recebem apostilas elaboradas para cada faixa etária e respectivos segmentos educativos, com sugestões de atividades, debates e conteúdos complementares relacionados aos temas apresentados nas telas.
O material amplia as discussões sobre ancestralidade, culturas indígenas e quilombolas, memória coletiva, diversidade cultural, combate ao preconceito e valorização das histórias locais.
Em algumas atividades, os próprios estudantes são convidados a produzir vídeos, registrar tradições familiares e compartilhar conhecimentos presentes em suas comunidades, transformando o audiovisual em uma ferramenta de protagonismo e construção de conhecimento.
A iniciativa também investe na identidade e no sentimento de pertencimento dos participantes, oferecendo materiais de apoio e comunicação visual que ajudam a transformar cada sessão em uma experiência cultural completa dentro do ambiente escolar.
Outro destaque desta edição é a participação do Instituto Benjamin Constant, que contará com sessões acessíveis por meio de audiodescrição.
A inclusão da instituição amplia o alcance social do projeto e reforça a importância da acessibilidade cultural, aproximando estudantes de diferentes realidades do universo do cinema brasileiro.
Nesta edição, o Circuito Cine Curta conta com patrocínio da MultiTerminais e do Parque Bondinho Pão de Açúcar, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS).
As atividades serão realizadas na EDI Gabriela Mistral, Escola Municipal Estácio de Sá e Escola Municipal Minas Gerais, na Urca; Escola Municipal Professora Laura Sylvia, Escola Municipal Professor Walter Carlos de Magalhães Frankel, Escola Municipal Marechal Espiridião Rosas e CIEP Henfil, no Caju; além do Instituto Benjamin Constant.
A expectativa é impactar milhares de estudantes, fortalecendo o papel do cinema como ferramenta de educação, inclusão, cidadania e formação de novos olhares sobre o mundo.
