Mila de Olano
O interesse de brasileiros pelo visto EB-5, programa que concede o Green Card a estrangeiros que investem na economia dos Estados Unidos, segue em alta.
O movimento acompanha o crescimento da busca por internacionalização de patrimônio, qualidade de vida e oportunidades de residência permanente no exterior, levando um número cada vez maior de investidores a considerar o programa como alternativa para viver no país.
Dados do U.S. Department of State mostram que, entre outubro de 2024 e maio de 2025, foram emitidos 8.969 vistos EB-5 em consulados americanos ao redor do mundo.
No mesmo período anterior, haviam sido concedidos 7.173 vistos, o que representa um crescimento de aproximadamente 25%.
O Brasil aparece entre os principais mercados do programa.
Em 2024, foram emitidos 336 vistos EB-5 para brasileiros, colocando o país na sexta posição mundial e na liderança da América Latina entre os participantes do programa.
Esse aumento acompanha uma tendência global de internacionalização de patrimônio.
Segundo levantamento da consultoria Henley & Partners, com base em dados da New World Wealth, cerca de 1.500 investidores brasileiros direcionaram recursos para o exterior em 2025, tendo os Estados Unidos entre os principais destinos.
Para Mila de Olano, vice-presidente para mercados da América Latina da EB5AN, empresa especializada na estruturação e gestão de investimentos para o programa, o crescimento da procura também exige mais cautela por parte dos investidores.
“O visto EB-5 é uma excelente porta de entrada para os Estados Unidos, mas não deve ser tratado como uma simples compra de visto. Trata-se de um investimento de risco, que exige análise profunda e acompanhamento especializado”, afirma.
Um dos principais equívocos, segundo a executiva, é acreditar que o investimento garante automaticamente a obtenção do Green Card.
“Na prática, o capital precisa estar sujeito a risco, como em qualquer investimento. Isso significa que não há garantia nem de retorno financeiro, nem de aprovação do visto”, explica Mila de Olano.
Criado pelo Congresso dos Estados Unidos em 1990, o programa exige atualmente um investimento mínimo de US$ 800 mil em projetos capazes de gerar empregos no país.
Em contrapartida, o investidor pode obter residência permanente, desde que todas as exigências legais e do programa sejam cumpridas.
A escolha do empreendimento é apontada como um dos fatores mais importantes para o sucesso do processo.
Especialistas do setor afirmam que boa parte dos problemas registrados ao longo da história do EB-5 esteve relacionada à seleção de projetos mal estruturados, incapazes de cumprir a exigência de geração de empregos estabelecida pela legislação americana.
“O sucesso do EB-5 está diretamente ligado à qualidade do investimento. Projetos mal estruturados podem não gerar o número de vagas exigidas, e isso compromete todo o processo imigratório”, afirma Mila.
Ela também alerta para outro erro frequente: acreditar que projetos vinculados a centros regionais autorizados pelo governo americano já passaram por uma análise financeira ou operacional.
“Um empreendimento estar associado a um centro aprovado pelo governo americano não significa que ele foi validado como investimento seguro. Essa análise precisa ser feita de forma independente”, diz.
O histórico do programa inclui casos de fraude e problemas na gestão dos recursos, cenário que levou o governo americano a ampliar os mecanismos de fiscalização.
Com a aprovação do EB-5 Reform and Integrity Act of 2022, o mercado passou a operar sob regras mais rígidas de transparência, supervisão e controle.
Na avaliação da especialista, essas mudanças aumentaram a segurança do programa, mas também tornaram o processo mais técnico para quem pretende investir.
“É fundamental avaliar o histórico dos desenvolvedores, a estrutura financeira do projeto, a destinação dos recursos e a consistência das projeções. Muitos investidores que tiveram problemas no passado não realizaram essa análise de forma adequada”, explica.
Com o crescimento da procura pelo EB-5, planejamento e assessoria especializada ganham ainda mais importância.
Questões jurídicas, financeiras e imigratórias precisam ser avaliadas de forma integrada para reduzir riscos e permitir que o investidor tome decisões mais seguras ao longo do processo.
“Com a evolução regulatória e maior fiscalização, o programa se tornou mais seguro. Mas o investidor precisa estar bem assessorado para tomar decisões informadas e alinhadas aos seus objetivos de longo prazo”, conclui Mila de Olano.
