Arthur Mattos
A busca por mais qualidade de vida dentro de casa tem impulsionado uma mudança no mercado de arquitetura de alto padrão.
Ambientes dedicados ao bem-estar, como spas, piscinas terapêuticas, saunas e espaços voltados ao relaxamento e à recuperação física, passaram a integrar com mais frequência projetos residenciais, hotéis, empreendimentos de luxo e até iates.
O movimento acompanha uma tendência internacional de valorização da chamada arquitetura wellness, conceito que reúne soluções voltadas à saúde, ao conforto e à experiência dos usuários.
Segundo o estudo “Build Well to Live Well: The Future”, publicado pelo Global Wellness Institute (GWI), o segmento de wellness real estate movimentou US$ 548 bilhões em 2024, registrando crescimento médio anual de 19,5% desde 2019 e tornando-se o setor de maior expansão entre os 11 que compõem a economia do bem-estar.
Para Arthur Mattos, fundador da WATERDESIGN, empresa especializada em arquitetura wellness, esse comportamento também é observado no mercado brasileiro.
“A arquitetura wellness passou a ocupar um espaço estratégico dentro dos projetos de alto padrão. Hoje o cliente busca experiências completas de conforto, recuperação física e qualidade de vida integradas à arquitetura”, afirma.
Segundo ele, o conceito deixou de estar restrito a áreas de lazer e passou a fazer parte do planejamento dos imóveis desde as primeiras etapas do projeto.
A ideia é criar ambientes capazes de oferecer experiências relacionadas ao relaxamento, à saúde preventiva e ao conforto no dia a dia.
Entre as soluções mais procuradas estão piscinas terapêuticas e recreativas, hidromassagens, circuitos wellness, saunas secas e úmidas, hammam, haloterapia, terapias de contraste, duchas sensoriais e tanques de flutuação.
Esses espaços podem incorporar diferentes tecnologias voltadas ao relaxamento muscular, à recuperação física, ao estímulo da circulação e à promoção do bem-estar.
As piscinas, por exemplo, deixaram de exercer apenas uma função recreativa para se tornarem ambientes de convivência e descanso.
Já as hidromassagens são utilizadas para auxiliar no relaxamento muscular e na circulação sanguínea.
Os circuitos wellness combinam diferentes etapas terapêuticas, enquanto as terapias de contraste alternam água quente e fria para estimular o organismo.
Também ganham espaço recursos como saunas tradicionais e de infravermelho, hammam, conhecido como banho turco, haloterapia, que utiliza micropartículas de sal em ambientes controlados, duchas sensoriais com cromoterapia e aromaterapia e tanques de flutuação voltados ao relaxamento profundo.
Nesse cenário, empresas especializadas passaram a ampliar sua atuação para atender a uma demanda crescente por projetos personalizados.
A WATERDESIGN, por exemplo, desenvolveu mais de 200 empreendimentos no Brasil e no exterior nos últimos três anos, atuando em projetos de arquitetura wellness para residências, hotéis, empreendimentos de luxo e embarcações.
A empresa trabalha com contratos de ticket médio de € 500 mil e reúne, em uma única operação, as etapas de projeto, engenharia, importação, instalação e manutenção.
Segundo Arthur Mattos, a procura por soluções altamente personalizadas também modificou o perfil dos clientes e a forma de desenvolvimento dos projetos.
“O cliente deixou de buscar apenas um espaço bonito. Ele quer ambientes que proporcionem conforto, saúde, recuperação física e qualidade de vida, integrando tecnologia e experiências personalizadas”, afirma.
De olho nesse crescimento, a WATERDESIGN projeta ampliar sua capacidade técnica ao longo de 2026, fortalecer sua atuação nacional e internacional e expandir a equipe de arquitetos especializados.
Atualmente, a empresa mantém forte presença em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e conta com cerca de 600 colaboradores diretos, atuando em todas as etapas dos projetos.
Para Arthur Mattos, a consolidação da arquitetura wellness indica uma mudança de comportamento dos consumidores e deve influenciar cada vez mais o mercado imobiliário.
“A tendência é que o wellness deixe de ser um diferencial e passe a integrar naturalmente os projetos de arquitetura nos próximos anos”, conclui.
